“Re-Evolução do Consumo” – XIV Congresso Nacional de Marketing 2013

O consumo está-se a revolucionar ou simplesmente a evoluir?

Talvez nem uma, nem outra resposta seja a mais correta, pois apesar dos paradigmas do consumo serem, em constância, fruto de mudanças, mais ou menos acentuadas, não se consegue afirmar que os seus padrões estão completamente alterados ou que existe um novo consumidor, podendo antes constatar-se que o consumo está a ser objeto de uma Re-Evolução!

Nádia Reis (Diretora de Comunicação do Continente) levou-nos até à Cocooning Trend, uma tendência que tem crescido de forma considerável e que parece definitivamente instalada nos hábitos de consumo atuais, em que as pessoas passam e socializam mais tempo no espaço de suas casas. A necessidade do mercado estar atento a esta tendência é crítica e demonstra a vontade e o envolvimento entre as marcas e os consumidores nesta nova vertente do consumo, validada pelo sucesso dos projetos apresentados da marca Continente.

Rita Torres Baptista (Diretora de Marketing do BES), ao referir-se à democratização do luxo, diz-nos de uma forma quase lapidar: “Luxo, na verdadeira aceção da palavra, não é democrático! Luxo não é fashion! O Luxo não se esgota!” Estaremos afinal perante uma contradição? Não, pois a amplitude do termo luxo é bem democrática por sinal, uma vez que permite ao consumidor assumir atitudes aspiracionais de níveis superiores e, em simultâneo, confere às empresas motivos de comunicação baseados no luxo. Uma evidência que influencia os consumidores a agirem perante a motivação de atingir o patamar do que consideram luxo.

Susana Felicidade (Chef e Empresária), da Arrifana até Lisboa. Com um regresso às origens, assente no desenvolvimento de projetos na área da restauração, esta empreendedora eleva a ação a um novo patamar, assumindo de forma disruptiva novos formatos de comunicação, serviço e relacionamento com os consumidores. A empresária defende que estes não visitam apenas um restaurante, mas usufruem de um espaço e serviço onde podem socializar com os amigos, como se na própria casa estivessem. O conceito dos petiscos, do vinho e da amena cavaqueira representa para si o realizar de um sonho, ao mesmo tempo que cria uma nova tendência de sucesso.

Por seu turno, Rui Pregal da Cunha (Criador do Projeto Can the Can) colocou-nos perante o saudosismo e o retro através da impressão de um caráter inovador e bastante atual. Uma ideia nascida em Itália e inspirada num restaurante onde se serve comida enlatada, que acabou por desaguar num projeto baseado no consumo de um produto que em tempos foi uma das maiores indústrias nacionais e que hoje está em fim de linha – as conservas. Este exemplo de excelência apela, mais uma vez, ao passado e às tradições tão enraizadas na cultura portuguesa, onde uma palavra pode valer mais do que 1000 imagens – lata! Desde o espaço que alberga o projeto, até à gastronomia, tudo se baseia nessa longínqua indústria de sucesso, complementada por outras tradições icónicas, das quais ressalta o fado.

Perante um painel com estes temas, que soam por vezes a contraditório, ficamos perante uma interrogação. Se as pessoas tendem, cada vez mais, a ficar em suas casas, como leva-las a sair e socializar noutros espaços? A resposta pode estar na Re-Evolução do sinónimo de restauração, onde este deixa de ser exclusivamente um local onde se vai comer, para passar a ser a extensão das nossas casas e do ambiente de socialização com os amigos. A simbiose entre estes dois ambientes, complementados com algo tão caro aos chefs, permite sobressair um terceiro elemento que envolve todos os anteriores “ingredientes”, ou seja, o novo “luxo”!

Assim, o consumidor pode dar-se ao “luxo” de ter um chef em casa rodeado das melhores comodidades, até ao “luxo” de poder saborear um bom queijo da serra, uma tiborna de sardinha, um vinho de qualidade superior servido a copo ou um flute de champagne, sempre rodeado de amigos. Uma oportunidade que obviamente gera comportamentos e hábitos complementares e não antagónicos e que merece uma atenção redobrada sobre todos estes temas.

Em conclusão, podemos dizer que com a evolução fazemos a revolução, pelo que estamos no caminho certo para Re-Evolução do consumo.


José Cardoso – Empreendedor / Consultor

Nasceu em Novembro de 1963 na mui nobre e invicta cidade do Porto.

Frequentou várias formações e especializações na área comercial, marketing e gestão em diferentes instituições e países. Quase aos 50 anos achou por bem regressar aos bancos da faculdade para obter uma licenciatura em marketing no ISCAP.

Começou bem cedo pela área comercial na década de 80, passando depois pelo comércio internacional.

Em 1992 ingressou naquela que seria a sua grande escola profissional, a Telecel, onde se manteve até 2002, já como Vodafone, onde ocupou diversos cargos na área comercial B2B e B2C e mais tarde enveredou pelo Marketing, especializando-se na área de Marketing Intelligence (MI).

A partir de 2004 dedicou-se ao empreendedorismo colocando em prática projetos pessoais aliados a trabalhos na área da consultoria de gestão e marketing, nacionais e internacionais, de onde viria a surgir o seu grande projeto atual centrado na trend recommerce, originado nos seus grandes hobbies: O modelismo ferroviário e a relojoaria.

Bem-disposto e amigo dos amigos, cultiva uma postura de low profile, considera-se um inconformista e um ser ávido do conhecimento.

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A APPM TV é uma plataforma de TV online especializada em conteúdos de Marketing e Comunicação , que tem como objectivos a produção , a curadoria e a transmissão de conteúdos relevantes para a comunidade de profissionais de marketing portuguesa.
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