O Desfasamento Temporal

Enquanto criador de marcas e já com mais de duas décadas disto, sou brutalmente analítico em tudo o que se passa nas relações criativos / clientes, na eterna esperança de chegar a uma plataforma de entendimento que nos permita a todos elevar a qualidade do nosso trabalho.

Há pouco mais de 3 anos, deixei a direcção criativa de grandes agências multinacionais e lancei um projecto próprio, passei também a dar aulas e a participar mais em palestras e workshops. Tudo isto contribuiu para me aproximar muito mais dos meus clientes, actuais e potenciais, e conviver verdadeiramente próximo com as suas rotinas e culturas e foi aí que me apercebi de uma realidade um tanto ou quanto assustadora, é que vivemos em décadas ligeiramente diferentes.

O mundo está a evoluir a uma velocidade estonteante e enquanto criativo  apaixonado, faço questão de não ficar para trás. Por isso, desde que me lembro, fui criando mecanismos para aceder ao máximo de informação possível , filtrá-la o melhor possível e transformar a que interessa no maior conhecimento possível, infelizmente não parece ser este o caso da maioria dos marketers com que me cruzo que ainda baseiam o seu trabalho em pressupostos da década de 90, e em alguns casos até mais para trás.

Como exemplo deixo aqui alguns tópicos que, para alguns foram novidade há uns anos atrás e para muitos vão ser novidade agora:

  • Os flashmobs não estão na moda;
  • A água tem memória;
  • Não há registo de virais de marca espontâneos. Viralizar custa dinheiro e recursos;
  • Os jovens usam cada vez menos o email e estão rapidamente a abandonar o Facebook;
  • Os GRP dos media tradicionais são uma falácia porque os sistemas de medição de audiência são propositadamente arcaicos e dão resultados muito dúbios;
  • É possível usar papel como interface para comandar dispositivos electrónicos;
  • As marcas que vivem de promover preço vão virar commodities;
  • Em NYC pediram uma agência criativa para fazer uma campanha de sensibilização para a falta de assiduidade escolar e eles responderam com um serviço de comunicações móveis  que teve resultados espantosos;
  • Plutão não é um planeta;

Por muito que mentes mais conservadoras insistam que não, as marcas têm obrigação de criar cultura e conhecimento e, pelo menos as boas marcas, só têm a ganhar com isso, porque pessoas informadas e cultas são melhores pessoas e melhores pessoas são sem qualquer dúvida, melhores clientes. Por isso custa-me aceitar que existam profissionais de comunicação parados no tempo, ou com velocidades inferiores às dos comuns mortais.  Só se estivermos todos no mesmo momento é que vai ser possível desenvolver coisas realmente relevantes e capazes de criar tendências em vez de continuarem obrigados a segui-las, tardiamente e sem dinheiro.

Em jeito de serviço público, deixo aqui algumas das ferramentas que uso para não perder pitada. Não dá muito trabalho pô-las todas numa app como o Flipboard, ou seguir as suas páginas no Twitter/Facebook e dar uma vista de olhos logo de manhã, até antes de sair da cama. O que interessa mesmo, guardam-se os links e estuda-se mais a fundo sempre que há oportunidade.

Vemo-nos em 2014, todos no mesmo tempo?





Autor:
João Geada
Zé @ Zé Maria

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