Kotler e Aristóteles: enfim, juntos.

Ainda tentei googlar para ver se encontrava o texto original. Não tive sorte. E olha que a publicação original do post foi há poucos meses atrás. Este é o mundo que vivemos: tudo muito rápido, tudo muito descartável.

O que eu procurara era um texto do ex-publicitário argentino Fernando Vega Olmos, intitulado “Os mad men não fizeram Mad Men”. Era uma crítica (e uma autocrítica) aos publicitários, ninguém em específico, o genero mesmo como um todo, que sempre gostaram de posar como condes e duques abastados dos conteúdos.

O texto de Vega Olmos (com quem tive o prazer de partilhar alguns jantares pouco antes dele se tornar um dos mais respeitados e premiados publicitários do mundo) servia como carta de despedida, afirmando que ele queria ir desta para melhor, que iria se dedicar a conceber e escrever filmes, séries, livros, os mais diversos formatos narrativos pois neles estarão os caminhos da publicidade.

Há pouco mais de cinco anos tive a mesma epifania, o mesmo alumbramento. Quis fazer a mesma mudança de rota pois acreditava, como acredito, que mais e mais cérebros publicitários vão fugir à procura do mesmo: novos desafios de comunicação e novas maneiras de fazer as coisas.

Neste como em outros casos vale o bom senso. Quem preparar-se mais cedo e melhor terá condições de enfrentar o futuro quando ele chegar. Isso custa tempo, dinheiro, esforço mas, espero, a recompensa está logo ali ao virar da esquina, quando as marcas (e os marqueteiros) chegarem a conclusão de que nem só de spots de 30” vive o homem.

Esse futuro radioso, em boa verdade, já chegou. Aqui, lá, em todos os lugares. É o futuro, ou melhor, o presente do storytelling, de cases com o “Dove Real Beauty Sketches”, só para citar um entre milhares de bons exemplos.

Mas não sou o profeta do apocalipse. Não quero ser o Nostradamus da publicidade. Os dois mundos (o da publicidade tradicional e o da nova) vão conviver ainda durante um bom tempo, talvez até para sempre. Só que cada um poderá escolher (ou ser escolhido) o lado em que irá labutar, tendo em vista os seus talentos e capacidades.

Apenas sugiro aos profissionais da área (e incluo aí os representantes do marketing) que voltem às carteiras da escola e estudem um pouco de dramaturgia. Quem diria, Aristóteles, Kotler e Ogilvy ainda andariam de mãos dadas.





Autoria:
Edson Athayde
Publicitário e Autor

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